Economista, é a primeira mulher nomeada diretora geral da Organização Mundial do Comércio. Nigeriana, em seu país, atua como ministra das Finanças, por duas vezes, e ministra dos Negócios Estrangeiros. Ganha projeção internacional por seu trabalho no Banco Mundial. Pioneira, elevada à terceira potência.

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Ngozi Okonjo-Iweala nasce na Nigéria em 13 de junho de 1954 – na época, o país é colônia britânica. Vive a infância em escolas internacionais,com aulas de balé e piano, até que, aos 13 anos, a família precisa fugir da guerra civil, conhecida como Guerra da Biafra – uma tentativa de separação das províncias do sudeste do país, após uma desavença entre os povos Hauçás e Ibos.
Hauçás eram muçulmanos, originários do norte do país e viviam em um sistema semifeudal. Os Ibos, considerados a elite nigeriana, possuíam melhores cargos no governo central e melhores salários, e provinham das tribos ao leste.
A guerra civil levou o caos ao sudeste do país após uma tentativa separatista da etnia ibo, da qual ela faz parte. Chukwuka Okonjo, seu pai, era o eze (rei) da família Obahai e um oficial da revolta dos Ibos, pela separação da Biafra.

Com o avanço das tropas federais, sob comando da etnia rival, a família de sete filhos abandona a própria casa e foge da cidade natal, Ogwashi-Ukwu. Eles perdem todas as suas economias; por vezes, dormem no chão, em bunkers, e em lugares diferentes, e muitas vezes não têm o que comer. Aos 15 anos, Ngozi anda 10 quilômetros, em busca de médico para a sua irmã de três anos. A menina, que ela carrega nas costas, está com malária e febre.
Superados os obstáculos, ela se forma em Economia do Desenvolvimento pela Universidade de Harvard e faz doutorado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts – MIT.
Jornada do poder
Ngozi Okonjo-Iweala, do Partido Democrático Popular, é ministra das Finanças da Nigéria por duas vezes, entre 2003 e 2006 e entre 2011 e 2015. Por um breve período, em 2006, atua como ministra dos Negócios Estrangeiros, durante o governo de Olusegun Obasanjo, nacionalista do Partido Democrático do Povo. Ocupar estes dois cargos faz dela, também, a primeira mulher a liderar as duas pastas.
Sua projeção internacional acontece a partir de seu trabalho como diretora do Banco Mundial, instituição financeira internacional que efetua empréstimos a países em desenvolvimento, onde atua durante 25 anos na área do desenvolvimento.
Durante o ano de 2020, a economista preside a Aliança Global para as Vacinas e é co-presidente da Global Commission on the Economy and Climate, uma iniciativa de líderes governamentais, executivos e membros da sociedade civil, que trabalham para fazer com que as mudanças climáticas estejam na pauta central das discussões globais de economia e política.

Na luta por apoio financeiro contra a Covid-19, Ngozi assume o papel de enviada especial da União Africana, que promove a integração entre os 55 países do continente, e da Organização Mundial de Saúde – OMS.
Em 15 de fevereiro de 2021, é escolhida diretora-geral da Organização Mundial do Comércio – OMC, criada em 1995 com o objetivo de supervisionar e liberalizar o comércio internacional, tornando-se a primeira mulher – e negra – a ser nomeada para o cargo.
Em 2024, é renomeada diretora geral da OMC, com apoio da maioria dos integrantes da entidade. Nenhum candidato concorre contra ela.
Conquistas econômicas
À frente do Ministério das Finanças da Nigéria, sua agenda de reformas é reconhecida como o principal motivo da sobrevivência econômica do país durante a crise financeira de 2008 – ela consegue desvincular o orçamento do preço do petróleo, permitindo ao país economizar dinheiro em uma conta especial quando os preços da matéria-prima estão altos.
Outra conquista de Ngozi é a redução significativa nas dívidas do país, que datam do início dos anos 1980 e que aumentaram para mais de 35 bilhões de dólares, devido a multas e taxas por atraso no pagamento.

Nos anos em que esteve à frente do Banco Mundial, Ngozi lidera várias iniciativas para ajudar os países de baixa renda , levantando quase 50 bilhões de dólares em 2010.
Ao apresentar sua visão para o segundo mandato na OMC, a líder declara que vai trabalhar pelo avanço das negociações sobre a liberalização do comércio agrícola internacional, de interesse prioritário para o Brasil, e ampliará esforços para reconstruir o mecanismo de solução de controvérsias, ferramenta que dá força de lei aos acordos da organização.
Na mesma ocasião, faz referência à Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, lançada pelo presidente Lula com o objetivo de erradicar a fome no mundo até 2030. Iniciativa central – na sua visão – para o enfrentamento da insegurança alimentar no planeta.
Reconhecimento
Por seu trabalho, em 2010, Ngozi conquista o Prêmio Bishop John T. Walker, categoria Distinguished Humanitarian Service, da Africare; é reconhecida como uma das 50 Mulheres Mais Poderosas, da revista Forbes, em 2015 e, no ano de 2022, recebe a Ordem de Rio Branco, grau Grã-Cruz, do Brasil, por sua benemerência.




Ngozi é casada com o médico Ikemba Iweala, presidente da Fundação IKE para o Autismo. Seus dois filhos são o escritor Uzodinma Iweala e a alergista e imunologista Onyinye Iweala.
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Fontes: Wikipédia, Agência Brasil, Poder 360
Escrito em 14 de fevereiro de 2025