No dia 25 de novembro de 2025 um milhão de mulheres negras vão marchar sobre Brasília por reparação e bem viver.
Por que marchamos?
Nós marchamos porque somos guerreiras, pessoas que na condição de nada ser, de nada ter, temos coragem para acusar o estado que nos suicida, nos viola, nos mata.
Nós marchamos para questionar o que o estado brasileiro considera como educação e saúde.
Nós marchamos para lançar o nosso olhar para o país, a partir da nossa potência.
Marchamos porque é no território do fazer, da ação política, que estão as possibilidades de expansão dos nossos imaginários.
Porque somos herdeiras de Carolina Maria de Jesus, que quando imaginava lustres, castelos, riquezas, para esquecer que era favelada, queria na verdade não a riqueza material, mas se deslocar de um lugar de impossibilidades e se instaurar no mundo.
Porque nossa concepção de política não é apenas uma concepção da gestão, de conseguir cargos no governo federal.
Nós marchamos porque reivindicamos outro desenho institucional.
Porque é em tempos de crise que a gente tensiona. E é possível imaginar um outro Congresso Nacional, que não seja anti povo, anti-democrático, anti cidadania…
Nós marchamos em nome de um outro pacto comunicativo porque a comunicação, assim como a política, foi tragada pelo capitalismo.
Marchamos para re-imaginar e reivindicar acesso a uma soberania sistematicamente negada.
Para juntar escritas que criam, a partir de cada experiência única, a possibilidade de a gente se colocar no coletivo.
Nós marchamos pela vida de todos.
Nós marchamos pelo nosso nacionalismo, que se dá na ordem de quem diz que os povos originários e os povos que foram escravizados precisam ser reconhecidos como sujeitos políticos capazes de fazer essa terra parar de sangrar…
Somos mulheres negras, diversas e plurais, e quando marchamos, anunciamos que este país pode ser bem melhor.
Nós marchamos para pactuar a política a partir de outros padrões, contratos, a partir de outros olhares. O mundo não pode mais se mover só a partir da exclusão.
Nós marchamos por um projeto novo de nação.
Fonte: inspirado na fala da jornalista e doutora em Comunicação, Rosane Borges, em encontro de comunicadoras negras no dia 1º de julho de 2025
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Parabéns pela iniciativa