
EDIÇÃO
Amor Afrocentrado
AKOMA
Adinkras são símbolos ideográficos criados pelos povos Akan: cada desenho transmite um ensinamento. “Nya Akoma” é um provérbio- símbolo com a tradução literal “tenha um coração”. A ideia é que possuir coração implica cultivar compaixão, calma, resistência, amor e entendimento.
Contra colonizar o sentir – este é o objetivo, a meta. Nos anos 1960, o ativista afroamericano Malcolm X perguntava: “Quem nos ensinou a nos odiar?”
Já sabemos que a lógica do racismo, com suas estruturas muito bem engendradas, nos levou à esta condição de desamor entre nós, de desrespeito entre nós, de intolerância entre nós. E, entre outros mecanismos, omitiu da história a origem da humanidade, bem como o nascimento das ciências, as primeiras invenções, as primeiras filosofias, o viver africano. Sem contar que, ao mesmo tempo, apropriou-se de nossas conquistas pioneiras, de nossa espiritualidade – reescrevendo nossos mitos como histórias originais europeias… Tudo isso pra dizer o mínimo!
Esta edição propõe uma ação de resistência e re-existência ética, a partir do que nos une: nossa origem africana, o reconhecimento de quem somos desde tempos imemoriais.
A ideia é deixar a questão do ódio para quem o “inventou” e garante a manutenção do racismo e focar no que nos fortalece como coletividade, nos fortalece como povo de origem africana – maioria da população brasileira – e como potência política capaz de transformar a sociedade em que vivemos.
Não nos faltam projetos. Tem nos faltado consciência de nossa força para mudarmos os rumos da história, o que podemos comprovar, sem qualquer dúvida, quando das eleições, que acontecem de dois em dois anos, e mantêm no poder – como representantes do povo, eleitos pelo povo – homens brancos e ricos!
Sim, primeirosnegros.com se antecipa ao novembro negro – até porque o viver negro, com todos os desafios, acontece o ano inteiro – e ao próximo período eleitoral, para propor o cultivo do autoamor, do amor afrocentrado, também como estratégia política para eleger pessoas que se pareçam com cada um de nós, que tenha uma gota, um litro, dois, três ou cinco litros de sangue africano.
Não faz sentido sermos, como povo brasileiro, a grande maioria pobre, preta e feminina e assistirmos, ano após ano, pessoas completamente diferentes de nós ocuparem os espaços de decisão política e econômica do país! E faz menos sentido investirmos na manutenção desse tipo de pessoas no poder quando sabemos – e eles não escondem – que estão a serviço de seus iguais.
Não estamos presentes no Poder Judiciário. Não estamos presentes no Poder Legislativo. Não estamos presentes no Poder Executivo e só nós, povo preto, de origem africana, afrodescendentes, juntos, temos poder para mudar essa história.
E não é demais lembrar que Jesus não é candidato a nada e, entre nós, usou o amor como plataforma de bem viver.
Nesta edição, você vai ler:
Em destaque, nossa coluna institucional:

Na coluna Sem Mordaça:

Solidão da negritude?!

Reparação e Bem Viver – reflexões sobre projeto político elaborado por mulheres negras

Omoloji Àgbára, as dores no masculino

Amor Afrocentrado, para além do amor romântico, uma imersão em nós mesmos
PIONEIRISMOS:

Exu, a figura mais controversa do panteão africano

Criatividade sem limites
