São muitas as histórias que estão no nosso radar há muito tempo. Por isso, decidimos registrá-las nesta coluna enquanto não as contamos em detalhes, como gostamos de fazer. E você, leitor-escritor, sinta-se à vontade para colaborar com textos e/ou sugestões. Nosso e-mail é [email protected]
Por Tania Regina Pinto
PN COLUNAS
📢 Pauta Pública, 2ª edição
Você vai ler:
• Rupaul, a primeira drag queen a possuir um programa na TV
• Vivien Thomas, quase um deus
• Tony Tornado, ícone da música e do movimento Black Rio
• Rico Dalasam, o primeiro queer rapper do Brasil
• Zumbi dos Palmares, nossa primeira faculdade negra
📢Pioneirismo LGBTQIAPN+ na tela da TV
RuPaul Andre Charles, 1,93m de altura, mais conhecido RuPaul é a primeira drag queen a ter um programa de televisão e a pessoa e negra mais premiada na categoria “Melhor Reality” no Emmy, o “Oscar” da televisão americana – ele conquistou oito estatuetas da Musa da Arte!
A série idealizada e apresentada por ele estreia em 2 de fevereiro de 2009. É o RuPaul’s Drag Race, um reality show estadunidense, produzido com baixo orçamento pela companhia World of Wonder, originalmente para o canal pago Logo, especializado no público gay.
Em 2021, na estreia da 13ª temporada, agora no Canal VH1 (MTV), sua audiência triplica. São mais de 1,3 milhão de pessoas assistindo à transmissão — fora as milhões que vêem o programa via streaming nos dias seguintes.
Assim, RuPaul’s Drag Race deixa de ser um programa apenas das minorias, se torna um fenômeno na cultura pop mundial e transforma-se no primeiro da franquia Drag Race. Depois, vieram RuPaul’s Drag U, cancelado em 2013, e RuPaul’s Drag Race All Stars, atualmente com nove temporadas – com a 10ª, em 2025, já confirmada.
Durante os episódios semanais do programa original, as competidoras participam de provas onde são testadas suas habilidades de canto, dança, postura, humor e personalidade. No Drag Race All Stars, as competidoras de temporadas passadas retornam para competir na luta para entrar no Drag Race Hall of Fame, o hall da fama da corrida drag.
RuPaul é de San Diego, Califórnia (EUA). Nasceu em 17 de novembro de 1960.
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📢Vivien Thomas, quase um deus
Com baixa escolaridade e sem nunca ter cursado uma faculdade, Vivien Thomas se torna pioneiro na área da cirurgia cardíaca e professor universitário da Faculdade Medicina.
Aos 34 anos de idade, desenvolve uma técnica cirúrgica que permite as primeiras cirurgias cardíacas em crianças com a síndrome do bebê azul – doença que afeta o transporte de oxigênio no sangue, resultando em cor azulada ou arroxeada.
1944. Depois que as primeiras operações são realizadas, o procedimento vira notícia nacional, mas o crédito – que vale indicação para o Nobel de Medicina – não é dado a ele, mas a um cirurgião branco, apesar de o mesmo se quer ter condições de fazer o procedimento sem a sua orientação.
Imagine a cena: Vivien sobe em uma cadeira atrás do cirurgião branco e dá, passo a passo, as instruções. Em determinado momento, inclusive, impede uma sutura na direção errada.
Tudo isso porque os Estados Unidos da época era o país da segregação racial – bebedouros, banheiros separados, lugares no transporte público, escolas… tudo separado. Negros não podiam operar e Vivien era empregado como assistente cirúrgico.
Só em 1971 suas contribuições à medicina são reconhecidas e seu retrato é exibido na Universidade John Hopkins. Cinco anos depois, lhe é concedido o título de doutor honorário e é feita a sua nomeação para o corpo docente.
A história dos 75 anos de vida de Vivien Thomas – de 29 de agosto de 1910 a 26 de novembro de 1985 – é contada no filme Quase Deuses.
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📢Tony Tornado, ícone do movimento Black Rio
Líder negro que se destaca durante em meio à ditadura militar brasileira, Tony Tornado comanda o movimento Black Rio, de contracultura, que surge nos anos 1970 no Rio de Janeiro. Inicialmente inspirado pela revolução do funk norte-americana, mistura ritmos da chamada “black music brasileira”, como funk, soul, jazz e samba.
Para o regime, Tornado era considerado “uma ameaça”, “possível versão brasileira dos Panteras Negras”, “crioulo comunista”, o que o tirou do território nacional por um tempo, em exílio forçado no Uruguai, na Tchecoslováquia e em Cuba.
Com mais de 90 anos, olhando para trás, ele diz, sem mágoas nem arrependimentos:
“O saldo do movimento black foi acima do que estávamos esperando… Voltei mais brasileiro que nunca”.
(fonte: Almanaque Brasil)
Tony Tornado é o nome artístico de Antônio Viana Gomes, que “dançava feito um furacão” – um cara que nasce em 26 de maio de 1930, vende doces na Central do Brasil, no Rio de Janeiro, engraxa sapatos, vence a fase nacional do V Festival Internacional da Canção, com a música BR-3, em 1970, estreia como ator na novela Jerônimo” da TV Tupi dois anos depois e, até hoje, continua a cantar, fazer televisão e ativismo negro.
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📢Rico Dalasam, o primeiro queer rapper no Brasil
Seu nome de batismo é Jefferson Ricardo da Silva. Sua cidade é Taboão da Serra, na Grande São Paulo. Seu aniversário é celebrado todo dia 22 de julho. Sua mãe dá à luz em 1989 e em 2014 ele é iluminado por holofotes. E aí seu pioneirismo, Rico Dalasam é o primeiro rapper gay a fazer sucesso!
Cantor e compositor, assumidamente homossexual, representante da comunidade LGBTQIAPN+, precursor do movimento intitulado queer rap, Rico ganha notoriedade com o single Aceite-C, uma de suas inspirações musicais voltada à própria aceitação da sexualidade, presente no extended play (EP) Modo Diverso.
O Dalasam em seu nome é um acrônimo da frase “Disponho Armas Libertárias a Sonhos Antes Mutilados”.
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📢 Zumbi dos Palmares, nossa primeira faculdade negra
Inspirado por grandes nomes da luta negra contra o racismo, como Nelson Mandela, Martin Luther King Jr e Luiz Gama, o reitor José Vicente cria a primeira instituição de ensino superior do Brasil e da América Latina de viés antirracista e voltada à comunidade negra, a Faculdade Zumbi dos Palmares.
Fundada em 2003, na zona norte da capital paulista, oferece cursos de graduação, graduação tecnológica e pós-graduação, nas áreas de Humanas, Gestão e Tecnologia. Todos reconhecidos pelo Ministério da Educação.
É José Vicente quem conta dos pioneirismos da Zumbi dos Palmares em artigo na revista Veja: é a primeira instituição de ensino superior do país a inscrever na grade curricular matérias sobre a história e religiosidade africana e afro-brasileira e, também, na criação de programas de contratação de estagiários e profissionais negros.
Entre seus diferenciais, ainda – de acordo com informações do site -, a formação de empreendedores negros para ocupar os cargos mais altos em empresas e instituições e os canais de conteúdo Zumbi TV e Afrobrasileiros.
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Para nós, esta coluna é o embrião de uma parceria com você.
A ideia é que todas, todos e todes leitores se tornem colaboradores na produção de histórias pioneiras que precisam ser contadas em detalhes.
Nosso e-mail é [email protected] – Envie sua sugestão de pauta!
Escrito em junho de 2025