O que você vai saber neste artigo: Quem é Maria Silva? Qual é a importância de Marina Silva para a história do povo negro? Qual é a importância de Marina Silva para o Meio Ambiente? Quais os pioneirismos de Maria S9ilva? Quais cargos públicos Marina Silva ocupou? Como Marina Silva tem enfrentado as questões de raça e gênero ao longo de sua carreira? Onde nasceu Marina Silva? Quais os partidos políticos de Maria Silva? Quais prêmios internacionais Marina Silva recebeu? Por que Maria Silva é respeitada em todo o mundo? Como é a saúde de Marina Silva? O que tem de interessante na história de Marina Silva? Qual é a religião de Maria Silva? Como é Marina ministra?

Primeira mulher negra candidata à Presidência da República, Maria Osmarina Silva, conhecida como Marina Silva, vem de uma trajetória incomum que tem início em 8 de fevereiro de 1958, nos seringais do Acre, no norte do país, território elevado a categoria de estado em 1962, mas que até 1877 pertencia à Bolívia.
Marina nasce na floresta amazônica, entre árvores-da-borracha e castanhas-do-brasil, montanhas elevadas e quedas d’água, no meio de espécies animais como tatus-gigantes e aves raras. E lá vive, até os 16 anos, sem saber ler nem escrever.
Marina nasce na natureza e, assim que enxerga possibilidade, no espaço de quatro anos, vai do analfabetismo ao vestibular. Se gradua em História e pós-gradua em Psicanálise.
Reconhecida internacionalmente por sua defesa do meio ambiente, torna-se ministra da área, deputada, senadora e candidata-se três vezes à Presidência do Brasil, sem sucesso.
Voto a voto
A estreia nas urnas acontece em 1986 e em seu currículo consta a posição pioneira de primeira vereadora de esquerda de Rio Branco, em 1988, bem como a de deputada mais votada do Acre, em 1990. Aos 36 anos, em 1994, é eleita a mais jovem senadora da República, reeleita em 2001.

Grande parte de seu segundo mandato como senadora, entretanto, é cumprido à frente do Ministério de Meio Ambiente – como pioneira também -, onde fica nos primeiros cinco anos e meio do governo Lula e para onde retorna em 2023, no terceiro mandato do presidente.

Estar ministra é o seu primeiro grande desafio em gestão pública. Testa poder de administração, negociação e resistência, além de enfrentar os maiores embates de sua vida pública. Um período extenuante, exaustivo, em que vê – com tristeza – ser aprovada a lei dos transgênicos e o licenciamento ambiental das hidrelétricas do Rio Madeira, na Amazônia – apenas para citar alguns exemplos dos desafios que teve de encarar. Mas seu trabalho é o melhor na área ambiental que se tem notícia.
Depois de 30 anos no Partido dos Trabalhadores, abraça sua primeira candidatura à Presidência da República pelo Partido Verde. É o ano de 2010 – ela fica em 3º lugar, com 19 milhões de votos.
Em 2014, assume a candidatura à presidência pelo Partido Socialista Brasileiro, após a morte de Eduardo Campos e conquista, de novo, a 3ª colocação, com 22 milhões de votos.
No ano de 2015, consegue o registro de seu novo partido, a Rede Sustentabilidade, e disputa pela 3a. vez, em 2018, a Presidência, mas não passa de 1 milhão de votos.
Uma das 100 mais
Ambientalista premiada, Marina Silva tem, entre suas conquistas, o “2007 Champions of the Earth”, principal prêmio da Organização das Nações Unidas na área ambiental, e o prêmio Goldman, considerado o Nobel do Meio Ambiente, em 1997.

Em outubro de 2008, recebe das mãos do príncipe Philip da Inglaterra, no palácio de Saint James, em Londres, a medalha Duque de Edimburgo, em reconhecimento à sua trajetória e luta em defesa da Amazônia brasileira – mais importante prêmio concedido pela Rede WWF, entre outros.
Em 2023, Marina Silva aparece como uma das 100 lideranças climáticas mais influentes do mundo pela revista americana Time, por conta de seu trabalho para “construir resiliência climática e limitar o desmatamento”.
Vida particular
Três hepatites, cinco malárias e uma leishmaniose contam da saúde de Marina Silva, que nunca foi frágil, apesar da aparência.
Missionária da Assembleia de Deus, maior igreja pentecostal do país, cogitou ser freira na adolescência. Superada essa fase, casou, separou e casou de novo, dando à luz a quatro filhos.
Sua vida familiar inclui, ainda, o papel de chefe de família aos 14 anos, como a segunda filha, de um total de onze, do cearense Pedro Augusto da Silva.

De deputada a ministra
Em 2022, a ex-ministra do Meio Ambiente e ex-senadora, Marina Silva (@_marinasilva_) conquista uma votação expressiva em São Paulo e se elege deputada federal pelo partido Rede Sustentabilidade.
A previsão era de que seu trabalho no Congresso Nacional seria dos mais importantes e desafiadores: apresentar um projeto político que valorizasse o patrimônio ambiental do país, além da geração de oportunidades para melhoria de vida das pessoas, em especial os povos originários.
Só que não: em 1º de fevereiro de 2023 ela assume, mais uma vez, o cargo de ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima e enfrenta, de novo, dia a dia, os algozes da natureza em território nacional – muitos deles, eleitos pelo povo, como a bancada do agronegócio – que a acusam de travar mudanças no licenciamento ambiental.
De seu lado, Marina defende que “o licenciamento ambiental é uma conquista da sociedade brasileira“.
Confronto
Este não é um espaço para replicar ofensas ao povo afrodescendente – homens e mulheres -e, sim, celebrá-lo por nos representar na política, na vida. Não se pode, entretanto, ocultar os ataques programados para minar nossa resistência e re-existência.
Maio de 2025 registra mais ataques à Marina Silva e, de novo, liderados por parlamentares. Sem sombra de dúvida, reflexo direto de um sistema que ainda se incomoda profundamente com mulheres que ocupam espaços de poder — especialmente quando essas mulheres são firmes, assertivas e comprometidas com pautas estruturantes como meio ambiente, equidade e direitos humanos.
Nina Silva, executiva e especialista em tecnologia e inovação, uma das 100 pessoas afrodescendentes com menos de 40 anos mais influentes do mundo e sócia fundadora do Movimento Black Money, falou sobre isso no programa Precisamos Conversar, do ICL Notícias, e é preciso que reflitamos sobre isso antes de colocar nosso voto na urna a cada eleição:
“… como tentam silenciar nossas vozes, deslegitimar nossa autoridade, nos esvaziar enquanto símbolos de mudança. E não é de hoje. Essa tentativa de “colocar no lugar”- esta foi uma das falas de um deputado, no microfone na Câmara Federal – é só a atualização do velho jogo do patriarcado, dessa masculinidade tóxica que se sente ameaçada toda vez que uma mulher deixa claro que o seu lugar é onde ela quiser estar (…) Essa lógica é perversa. Ela separa quem somos do que fazemos para justificar a violência simbólica…”
E, neste texto, coloco Marina confirmando Nina:
“Sou uma mulher de luta e de paz. Mas, nunca vou abrir mão da luta. “
Ministra
À frente do Ministério do Meio Ambiente, de novo, Marina promove uma queda de 22,3% no desmatamento na Amazônia de agosto de 2022 a julho de 2023 em relação ao período anterior, de agosto de 2021 a julho de 2022, de acordo com dados do governo. Redução apontada como a menor em uma década.
Mas, segundo ela mesma, estamos longe do ideal. Isso porque a sequência de eventos extremos sem precedentes que têm sido vividos demonstra a necessidade de o mundo priorizar a adaptação. A cada ano, as consequências da falta de ação são mais sentidas:
“Adaptação é por definição local e demanda muito dinheiro, mas perder vidas não é uma opção e a responsabilidade que compartilhamos é global. Lamentável que tenhamos perdido tempo precioso para a ação climática nas últimas duas décadas porque o lobby do combustível fóssil agiu para bloquear um muito necessário progresso. A conta agora é muito mais cara e ficará impossível de ser paga se perdermos mais tempo.”
Para Marina, há um raro consenso científico sobre o que acontece com o planeta e os custos da inação e o mundo já tem grande parte das respostas técnicas necessárias para uma transformação ecológica, o problema é a falta “compromisso ético”:
“A coisa mais importante que todos precisamos fazer é romper com o ciclo vicioso de acharmos que a realidade já está sendo mudada por nós, governos e sociedade, apenas por concordamos sobre algo. O que falta é compromisso ético de usar recursos tecnológicos, humanos e financeiros para aumentarmos nossa chance frente às graves consequências da mudança do clima”.
E ela diz mais: para haver sustentabilidade ambiental é necessário sustentabilidade política, fortalecer democracias e empoderar cidadãos para votar e escolher o que é melhor para eles, incluindo novas leis sobre mudança do clima.
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Leia mais sobre pessoas negras que nos representam na política desde sempre em Eleições Negras.
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Fontes: Gov.Br, BBC, G1, Wikipédia, Gov.Br-desmatamento, Nina Silva
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Escrito em 6 de dezembro de 2020. Última atualização em 31 de maio de 2025