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Orí, nossa essência individual – A conexão da espiritualidade em nós

Imagem: Ibá de Ori tradicional iorubá (Ibá de Ori – em iorubá: Igbá Ori – é o assentamento sagrado da cabeça de um indivíduo na cultura nagô-vodum.

Mais que a nossa cabeça, a que está em cima do pescoço, Orí é um importante conceito metafísico espiritual e mitológico para os yorubás, que remete à nossa intuição, destino, consciência, sede da alma.

Orí é o primeiro Orixá a ser louvado, a cabeça espiritual, o orixá pessoal, em toda a sua força e grandeza, representação particular da existência individualizada (a essência real do ser). É aquele que guia, acompanha e ajuda a pessoa desde antes do nascimento, durante toda a vida e após a morte, referenciando sua caminhada e a assistindo no cumprimento de seu destino.

No papel de orixá pessoal, está mais interessado na realização e na felicidade de cada ser do que qualquer outro orixá. Daí, ele ser também o ponto de contato entre nós e as demais divindades. 

Proteção

Ori é o protetor da pessoa antes das divindades. Ele é divindade em si próprio e, inclusive, é cultuado entre outras divindades.

Para protegê-lo, é importante cultivar o autoconhecimento e os bons pensamentos, praticar a auto aceitação, buscar o equilíbrio interior e manter relações saudáveis. 

No Candomblé, acredita-se que a cabeça seja vulnerável a energias negativas. Daí, o cuidado para que não se toque na cabeça de ninguém sem permissão, de modo a não afetar a conexão e prejudicar a harmonia espiritual.

O babalorixá Sidnei Nogueira de Xangô explica que o Orí traz as impressões gravadas no inconsciente, a nossa origem no universo. É fonte da inteligência para a sobrevivência no ayé (Terra) e garante toda a força propulsora que nos conduz em nossa jornada.

“Assim, Orí = Origem do ser, está ligado ao òrun (céu) e, ao mesmo tempo à Terra (ayé), sobrevivendo após a morte para transmutar a morte física para a vida do espírito e, desta forma,  guardar em sua memória as marcas de sua origem.”

Consciência ancestral

Nas palavras  do psicanalista baiano Olomoji Àgbára, que em seu trabalho clínico articula Psicanálise, estudos raciais e a filosofia africana diaspórica, “o Orí é um dos maiores responsáveis pela nossa saúde mental. É a nossa essência divina, a nossa consciência ancestral”

Ritual para Ori no candomblé do Ilê Axé Ijino Ilu Oróssi (Imagem: Reprodução)
Ritual para Ori no candomblé do Ilê Axé Ijino Ilu Oróssi (Imagem: Reprodução)

É a alma, o espírito – de acordo com a fé de cada pessoa -, e pode ser cultuado de formas litúrgicas, ritualísticas ou por meio de boas leituras, boa música, de comunhão com a natureza…

O “Bori”, ritual do Orí, considerado um dos mais importantes e sagrados, serve para fortalecer e harmonizar essa essência individual, com vistas ao desenvolvimento espiritual e à saúde física e mental da pessoa. 

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Fontes: Carta Capital, Site – O Candomblé, Wikipédia, Departamento de Ciência da Religião (UFJF)

Escrito em 16/7/2025

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1 comentário em “Orí, nossa essência individual – A conexão da espiritualidade em nós”

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