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As sementes,
candidaturas vitoriosas

Foto original: Márcia Foletto/Agência O Globo; Ícone por Abdulwahab Ali

É do povo preto 44% das cadeiras de vereador em diversas cidades do Brasil a partir de 2021, de acordo com levantamento Gênero e Número, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Nossa homenagem em fotos é de algumas das mulheres negras eleitas – muitas delas sementes de Marielle. 

A nossa Marielle Franco, mulher, preta, mãe, filha, irmã, esposa, cria da favela da Maré, no Rio de Janeiro. Socióloga com mestrado em Administração Pública, eleita vereadora com 46.502 votos. Assassinada no dia 14 de março de 2018 – 13 tiros atingiram o veículo onde estava.

Mas, além de celebrar Marielle – que poderia estar renovando seu mandato agora – e a vitória de suas sementes, queremos ecoar duas perguntas do Instituto Marielle Franco, criado por sua família com a missão de inspirar, conectar e potencializar milhares de jovens, negras, LGBTQIA+ e periféricas a seguirem movendo as estruturas da sociedade:

Quem matou Marielle?

Quem vai proteger as Marielles que, agora, assumem o poder?

Diversas mulheres negras eleitas em 2020
Laura Sito, Erika Hilton, Bia Caminha, Vivi Reis, Tainá de Paula, Jô Oliveira, Ana Lúcia Martins, Maiara Felício, Edna Sampaio, Elenizia da Mata, Dandara, Paola Miguel, Coletivo Pretas por Salvador.

Foto originais: divulgação, Midianews, Isa Chaves, Renato Nascimento e Ederson Nunes/CMPA.

Por que?
Quem mandou matar Marielle?

Ainda sem respostas!!!

5 anos sem respostas!!!

Do nada, uma rajada de tiros.

Dois mortos e uma pessoa sobrevivente.

Mas os tiros atingiram o alvo: Marielle Franco.

Marielle foi assassinada às 21h32 de 14 de março de 2018  e às 23h40, do mesmo dia, na mesma noite, teve início uma campanha de difamação. Só a sua irmã, Anielle Franco – ministra da Igualdade Racial, no terceiro mandato do presidente Lula – recebeu 20 tweets com notícias inverídicas, fake news!

Não demorou, um miliciano e um vereador foram apontados como suspeitos, mas uma denúncia anônima mudou o ritmo das investigações. A primeira fase do inquérito foi concluída só um ano depois do assassinato da vereadora, com o indiciamento do policial militar reformado Roni Lessa, acusado de ter feito dos disparos, e do ex policial militar Élcio de Queiroz, acusado de ter dirigido o carro usado no assassinato.

Roni e Élcio estão presos, não foram julgados, ainda, e nunca revelaram o mandante do crime. São 5 anos de investigações – neste 2023 – e muitas reviravoltas.

O caso já passou por cinco delegados, três grupos de promotores, três governadores e o que se vê é um crime bem planejado, poucas pistas e a falta de entrosamento entre investigadores da polícia civil e promotores do Ministério Público do Rio de Janeiro.

2023

Há poucas semanas, o ministro da Justiça, Flávio Dino, determinou a criação de uma força-tarefa, uma nova frente de investigação, a ser comandada pela Polícia Federal, um inquérito paralelo ao conduzido pela polícia do Rio de Janeiro.

Em 2018, primeiro ano das investigações, os resultados foram mais concretos e rápidos, apesar da demora até no recolhimento das cápsulas.

Uma vez denunciado o envolvimento de policiais no assassinato da vereadora, a investigação mudou de patamar, com quebra de sigilo de dados na internet para identificar a ação dos envolvidos nos dias anteriores ao assassinato. 

No segundo ano, vazamentos e denúncias de interferências nas investigações provocaram a saída de promotores e delegados, dificultando o andamento do inquérito que já somava mais de 30 volumes.

Estátua Marielle Franco - Buraco do Lume (Imagem: Reprodução 29-07-2022)

Havia a linha de investigação de que a morte de Marielle seria um crime político. E a motivação estaria no fato de o então deputado estadual Marcelo Freixo, do PSol, ter ajudado o Ministério Público Federal na prisão de deputados federais.

Como Marcelo Freixo tinha muitos seguranças, ficaria mais fácil atingir uma pessoa de suas relações. E Marielle começa na vida política trabalhando no gabinete do parlamentar, como assessora, antes de tornar-se vereadora. 

E quando de seu assassinato, Marielle estava cotada para ser candidata a vice-governadora.

Em setembro de 2019, já sob o governo Bolsonaro, o Ministério Público Federal tentou federalizar as investigações, mas nem a família nem a Justiça concordaram em tirar as investigações do âmbito estadual. E o fato é que as perguntas continuam sem respostas.

Por que?
Quem mandou matar Marielle?

2023 traz novos tempos, um novo governo, e a expectativa é que a força-tarefa recém montada pelo governo federal agilize a solução do caso, por exemplo, identificando a origem da submetralhadora  HK MP5 (utilizada pelas polícias federal e militar) e dos cartuchos utilizados na execução do crime. 

Outra possibilidade é o aprofundamento das investigações sobre o envolvimento de algumas pessoas que têm seus nomes nas mais de 200 páginas do relatório da polícia federal sobre o caso.

Atualizado em 13/3/2023. 

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1 comentário em “As sementes, candidaturas vitoriosas2020”

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