
Arte representando Pedro Otavio, cofundador do Primeiros Negros (Ilustração: Amanda Grigorio)
ORI, NOSSA SAÚDE MENTAL
Orí é um dos maiores responsáveis pela nossa saúde mental. É uma divindade feminina, Yá Orí, uma orixá que se inicia, que faz morada em nós no momento em que nascemos. É a nossa essência divina, é a nossa consciência ancestral.
Na perspectiva yoruba, Orí tem a função de organizar o nosso ser, conduzir bem a nossa vida no aiyê, a terra. Quem tem cabeça física, capacidade intelectual, de sentir, tem a Orí ou o Orí – a quem use no feminino a quem use no masculino, referindo-se ao orixá ou à cabeça.
Ela é a alma, o espírito – de acordo com a fé de cada pessoa -, e pode ser cultuada de formas litúrgicas, ritualísticas ou por meio de boas leituras, boa música, de comunhão com a natureza…
A explicação é do psicanalista baiano Olomoji Àgbára, que em seu trabalho clínico articula Psicanálise, estudos raciais e a filosofia africana diaspórica, e é um dos entrevistados desta edição.
No formato PN Entrevista, também, os pensares da psicóloga e psicanalista Maria Lúcia da Silva, pioneira na discussão de saúde mental da população negra.
Da área de saúde mental, ainda, assinam artigos Sem Mordaça, Thandiwe Onwa, psicóloga africana, criadeira da Terapia Kula, que escreve sobre o olhar africano para a morte, e o psiquiatra Rondinelli Salvador Silva, que aborda a banalização dos diagnósticos de saúde da população negra, ao não contemplar questões básicas do nosso viver.
Orí é uma edição que propõe uma imersão no nosso desejo de bem viver, para que o nosso sorriso seja mais sobre a alegria de co-existir no planeta Terra e menos sobre a nossa resistência neste território.
Território que se torna país com o sangue, o suor e as lágrimas dos que vieram antes e chegaram aqui à força, acorrentados, e no qual nossos corpos continuam a ser marcados pelo ódio, pela inveja e pelo desejo de posse.
Ao elegermos a saúde mental como tema principal, nos arriscamos a questionar se a violência e a solidão, de fato, têm cor e gênero ou são mais estigmas criados pelo racismo estrutural para nos adoecer e nos manter separados, em confronto.
Com foco no pioneirismo negro, contamos as histórias de Juliano Moreira, Virgínia Leone, Frantz Fanon e Ben Carson.
Que esta edição de aniversário, que vale por duas, com seus 23 artigos, promova acolhimento e desassossego a caminho do amor afrocentrado, amor por nós e amor para nós.
Um olhar para o divã:
“Você não cala nenhuma das suas existências. Hoje, o adulto vencedor tem que lidar com a criança e o adolescente que sofreram.
Dá-lhe terapia… Terapeuta é sua imagem de confiança. Menino é feito para ser funcional, ser útil. Não importam as suas dores. Ser funcional está no nosso DNA, é do nosso passado escravocrata, de ser ensinado a ser funcional…
Se você não está feliz, não está funcional… Depois da terapia, a gente fica mais feliz. O cara não faz terapia porque tem medo de descobrir que tem medo! A vitória é ancestral.”
– Paulo Vieira, ator, apresentador, humorista, músico, empresário, produtor da Globo, ogã de Xangô, em entrevista a Mano Brown, no podcast Mano a Mano
Boa leitura
Primeiros Negros, 16 anos
A redação
Olhar africano
nosso ponto de partida


O Espelho da Verdade

Maat, a origem da vida

Educar africano

Exu, a figura mais controversa do panteão africano
PN ENTREVISTA

Saúde Mental, pensares de uma pioneira

Omoloji Àgbára, as dores no masculino
PIONEIRISMOS

Ben Carson, neurocirurgião, o melhor do mundo

Masculinidades negras, assunto para Frantz Fanon

As relações raciais na vida da psicanalista Virgínia Leone

Juliano Moreira, o pai da psiquiatria no Brasil
SEM MORDAÇA

Amor Afrocentrado, para além do amor romântico, uma imersão em nós mesmos

A gente, homem negro, é da hora!

Infância discriminada
