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Um tempo que não gosta que se faça nada sem ele, que “exige” respeito para o tempo que o tempo tem. Sabe aqueles 10 minutos que passaram rapidinho… Ou aquele mês que demorou para terminar…[...]

O que este artigo responde:

O que é o tempo para as filosofias africanas? O que quer dizer a expressão “a hora é deles, o tempo é nosso”? Na contagem do tempo africano existe passado, presente e futuro? Como sentir o tempo africano vivendo no Ocidente? Quem é o deus do tempo na filosofia grega? Quais são as divindades do tempo nas filosofias e nas mitologias africanas?

Sumário

Um tempo que não gosta que se faça nada sem ele, que “exige” respeito para o tempo que o tempo tem. Sabe aqueles 10 minutos que passaram rapidinho… Ou aquele mês que demorou para terminar… Ou, ainda, o ano vivido naquele piscar-de-olhos? É isso que queremos da vida? Será que perdemos a consciência do tempo que temos para viver? Da sua importância para o nosso existir pleno, conectado com os que vieram antes? Você já parou para pensar na função magistral do tempo?

Adeus ano velho, feliz ano novo, fogos de artifício, champanhe, taças se encontrando no tin-tin, roupa branca, beijos, abraços, gritos de euforia… Mas, de verdade, entre o 31 de dezembro e o 1º janeiro, se passa o mesmo segundo que separa os dias o ano inteiro, a vida inteira… 

É interessante, transformador, assumirmos, para nós, o olhar africano para o tempo, um tempo sem relógio, sem calendário, que cumpre sua jornada cíclica, circular, de começo e meio, começo e meio, sem pressa, sem fim e sem a marca da captura do nosso existir…

Grafite de Samuca Santos (@samucasantos_ba) representando Nego Bispo (Imagem: Reprodução)
Grafite de Samuca Santos (@samucasantos_ba) representando Nego Bispo (Imagem: Reprodução)

Compreendendo-o, entretanto, como um processo de formação, conversão, metamorfose, onde cada ser passa por ciclos de nascimento, vida, retorno aos ancestrais, em um fluxo constante de acontecimentos que conectam passado, presente e futuro. 

Será que podemos escolher viver no tempo que o tempo tem? 

Do outro lado do Atlântico

No viver africano, várias divindades lidam com o tempo: Oyá, Orunmilá e Nanã Buruku, da tradição yorubá; Kitembo, genuinamente Bantu, da nação Angola, governa o tempo da vida, da longevidade, e tem papel similar à sacralidade da árvore Iroko, cultuada como orixá, em outras nações, e Anzar, da mitologia berber, do norte da África.

Oyá, a orixá dos ventos, raios, trovões, da mudança constante, é, também, identificada como o próprio Tempo em algumas linhas do Candomblé. A figura de um Exu de Oyá, o “Tempo” (que, nela, se torna orixá), personifica a ideia de que tempo sem movimento é estagnação. É preciso se mover, agir com equilíbrio, para evoluir, adquirir sabedoria.

Orunmilá é conhecido como o orixá da adivinhação e do destino. Ele vê o tempo como cíclico, onde passado, presente e futuro se conectam, permitindo prever o futuro através do passado, como praticado pelos babalaôs e ialorixás no jogo de búzios.

Nanã Buruku, divindade primordial andrógina, e seus filhos gêmeos adotivos, Mawu (Lua) e Liza (Sol), regem a criação e a passagem do tempo, controlando a noite e o dia respectivamente.

Iroko é o orixá do tempo, da ancestralidade e da força da vida no Candomblé, representado pela árvore de mesmo nome (a gameleira-branca no Brasil). Ele governa os ciclos naturais, ensina sobre paciência, constância e a conexão entre o passado (ancestrais) e o presente, sendo fundamental para o crescimento e a sabedoria, exigindo respeito ao ritmo natural das coisas, com devoção e sem pressa.

Representação de Iroko, por @reneatelier (Imagem: Divulgação)
Representação de Iroko (Imagem: @reneatelier)

Anzar, deus da mitologia berber, dos povos indígenas do Norte da África, é associado à chuva e à água, elementos cruciais para a passagem do tempo e para a sobrevivência.

O princípio é que existe uma conexão ancestral. O tempo está ligado à sabedoria dos ancestrais e à renovação constante do mundo natural.

Sem foice nem ampulheta

Tudo muito diferente da filosofia grega, do Ocidente, com seu Cronos, o deus do tempo linear, cronológico, que tudo devora e degrada, representado por um velho com uma foice, símbolo do poder de cortar e destruir. E conta ainda a mitologia grega que ele engoliu seus filhos por medo de ser destronado.

E é esse tempo de Cronos que governa o nosso viver no Ocidente! Podemos sim ir aos tempos da escravização dos nossos, cinco séculos atrás; mas podemos, também, só olhar para o hoje, para o modo de produção capitalista, para perceber o tempo como uma medida rigorosa da produtividade.

Estátua de Cronos, deus do tempo da mitologia grega (Imagem: Reprodução)
Estátua de Cronos, deus do tempo da mitologia grega (Imagem: Reprodução)

“Tempo é dinheiro” é expressão que gostamos de usar, sem nos darmos conta que, existindo a partir desta lógica, somos devorados pelo sistema. 

Para quem está pensando em discordar, proponho uma reflexão:

Quando cada minuto conta e cada segundo improdutivo representa uma perda, quem é o sujeito da história? 

O Capital

O filósofo e ativista político alemão Karl Marx, no livro “O Capital”, mostra como o valor da força de trabalho está atrelado ao tempo de trabalho socialmente necessário para produzi-la e como o tempo de vida do trabalhador entra nesta equação apenas como mais-valia. Quer dizer, como lucro.

Marx se refere à diferença entre o valor produzido pelo trabalho e o salário pago ao trabalhador, que é a base de exploração do sistema.

No capitalismo contemporâneo, do século XXI, é verdade que quase tudo mudou. Só que para pior… Não existem mais fronteiras entre a vida pessoal e a vida profissional. “Liberdade” e “autonomia” vêm acompanhadas de jornadas de trabalho exaustivas, sem quaisquer direitos. É proibido desconectar! E ninguém reclama ou se rebela! 

Útil ou necessário?

O filósofo quilombola Antônio Bispo dos Santos, o Nêgo Bispo, no seu livro “A terra dá, a terra quer”, questiona o imperativo do sistema capitalista de estarmos sempre fazendo algo “útil”, de sermos “utilitários” inclusive no nosso tempo de descanso (leia-se: momento em que “aquecemos” a “indústria do entretenimento” e garantimos o lucro do setor das drogas lícitas).

Ele conta que quando saiu do quilombo para viver na cidade grande, por ser “um servidor, um serviçal, era útil, mas poderia ser substituído porque não era necessário”. E é assim que percebe que “o povo da cidade” mantém apenas “relações de utilidade”

“(…) O termo que tem valor para nós (quilombolas) é necessário. Há pessoas que são necessárias e há pessoas que são importantes. As pessoas que são importantes acham que as outras pessoas existem para servi-las. As pessoas necessárias são diferentes, são pessoas que fazem falta. Pessoas que precisam estar presentes, de quem se vai atrás”.

E valem mais reflexões:

  • Como você se vê, sente-se útil, substituível ou necessário?
  • Ou, ainda, de acordo com qual categoria tratam você na sua casa, no ambiente de trabalho: útil ou necessário? 

Acredite, as respostas vão contar da qualidade do seu tempo.

Nada sem ele

“O tempo não gosta que se faça nada sem ele”, ensina um provérbio africano. Mas, na nossa ansiedade, esquecemos que para tudo existe o que muitos chamam de “tempo de Deus” e que escolhemos chamar de “tempo certo”, “tempo da paciência”, essencial para as coisas boas, como o amor, a sabedoria…

Muitos provérbios africanos, na verdade, nos convidam a pensar na importância do tempo, no seu ritmo natural, no seu próprio curso, não linear como o relógio ocidental: 

“Não apresse a noite; o Sol sempre nascerá por si só.”

“O Sol anda devagar, mas atravessa o mundo inteiro.”

“Café e amor têm um sabor melhor quando quentes.”

“Se quiser derrubar uma árvore na metade do tempo, passe o dobro do tempo amolando o machado.” 

“O rio enche-se graças aos pequenos riachos.”

“A água sempre encontra um caminho.” 

“Se hoje fluímos, é porque ontem alguém cavou fundo.”

Todos esses pensares do nosso continente original contam coisas que, de algum modo, já sabemos ou intuímos, tais como: a natureza tem seu ritmo. O tempo não é para ser apressado, mas cultivado. Grandes resultados vêm de pequenos esforços, constância e preparação trazem resultados… 

Guardiões do tempo

Pensar no tempo, no que fazemos com ele, nos obriga a olhar para os que vieram antes e ainda estão entre nós. Celebrar ancestrais e, ao mesmo tempo, invisibilizar as pessoas mais velhas, é abrir mão do que podemos chamar de “presente do tempo”. 

Nêgo Bispo – vale citar essa vivência incrível – conta que sua avó não sabia nem ler nem escrever, mas foi ela quem o ensinou a escutar!

E se, hoje, ainda acessamos saberes ancestrais que educam comunidades e povos, é porque tudo tem sido transmitido de geração em geração. Os mais velhos são considerados centrais para a compreensão do tempo, representam um legado importante de aprendizado e inspiração. São vistos como guardiões do conhecimento.

Em muitas sociedades africanas é esperado que os mais jovens ouçam e respeitem as histórias e as experiências dos mais velhos, fortalecendo laços intergeracionais e promovendo a continuidade cultural.

De quem é o tempo?

“Para nós, africanos, o Tempo é todo nosso.
O branco tem o relógio, nós temos o Tempo.”
– Mia Couto, escritor moçambicano

Na Cosmovisão Kitembo, de Angola, por exemplo, é o Nkisi (divindade) quem governa o tempo real, não o tempo do relógio, mas o tempo da vida. Os ciclos existem para serem cumpridos. O Nkisi nos ensina a ter sabedoria com o tempo. Insistir é desrespeitar o ciclo, segurar o que já acabou, impedir o futuro de chegar. Não devemos negligenciar nem desperdiçar o tempo

É preciso respeitar o tempo das coisas, das pessoas e de nós mesmos, exemplifica o provérbio da filosofia bantu: 

“A árvore não implora pela folha. Ela confia na estação.”

Oxossi ensina:

“Qualquer tempo é tempo de começar e, por que não, recomeçar.”

E o provérbio bantu-kongo insiste no princípio:

 “A lua move-se lentamente, mas cruza a cidade.”

Tempo do Sol

O Cosmograma Bakongo, do povo Bakongo, da África Central, apresenta o tempo como um processo de formação e transformação, onde cada indivíduo passa por ciclos de nascimento, vida e retorno aos ancestrais que, por sua vez, se conectam em um eterno movimento de criação e renovação, não como um fim, mas como um recomeço. 

Na sua representação simbólica aparecem os quatro grandes ciclos do sol – o nascer, o pico, o pôr do sol e a ausência -, da vida, do universo e do tempo:

+ Mûsoni: Geração, gestação, crescimento silencioso (meia-noite).

+ Kala: Nascimento, aprendizado, força vital inicial (amanhecer/manhã).

+Tukula: Amadurecimento, força plena, ápice da vida (meio-dia/tarde).

+ Luvemba: Decadência, morte, silêncio, retorno à ancestralidade (pôr do sol/noite).

Dikenga, o cosmograma bakongo (Imagem: Reprodução)
Dikenga, o cosmograma bakongo (Imagem: Reprodução)

Dentro do círculo, é possível observar uma cruz (de muito antes do cristianismo), que divide as quatro etapas e apresenta um ponto de confluência no centro, chamado Dikenga, que é o ponto mais poderoso, do aqui e agora, a conexão vital entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos.

A linha horizontal, que separa o mundo dos vivos (acima) do mundo dos ancestrais (abaixo), conhecida como Linha da Kalunga, é, ainda, uma representação do mar como grande cemitério a conectar os mundos.

O professor Eduardo Oliveira, integrante do Doutorado em Difusão do Conhecimento da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia, autor do livro Cosmovisão Africana o Brasil, resume o Cosmograma Bakongo, como “uma grande metáfora do ciclo vital”:

“A criação do mundo, a vida humana e os grandes processos sociais são explicados através deste cosmograma, que funciona como uma grande metáfora do ciclo vital”. 

Primeiros calendários

Os egípcios criaram um sistema solar baseado na enchente anual do Rio Nilo e no surgimento da estrela Sírius. Eles dividiam o ano em três estações de quatro meses, totalizando 365 dias, com cinco dias extras de festividades no final. 

Em outras palavras, o primeiro calendário que se tem notícia, de origem africana, já demonstrava sua avançada compreensão astronômica e sua forte ligação com a natureza.

No outro lado do mundo, a civilização Maia desenvolve um sistema de tempo mais complexo e preciso, com múltiplos calendários interligados, envolvendo o sagrado, de 260 dias, e o secular, de 365 dias, para registrar eventos e profecias, mostrando uma visão de tempo cíclica e interconectada.

Calendário Maia (Imagem: Chichen Itza
Calendário Maia (Imagem: Chichen Itza
Calendário Maia (Imagem: Chichen Itza

O terceiro calendário que se tem notícia surge em Roma, na Europa, baseado no sistema lunar e vive uma “jornada caótica”, recheada de reformas. A mais famosa é a de Júlio César que, com a ajuda do astrônomo Sosígenes de Alexandria, introduz o Calendário Juliano em 45 antes da Era Comum – também chamada de “antes de Cristo”.

Calendário Juliano, da República Romana (Imagem: Blog: Ensinar História - Joelza Ester Domingues)
Calendário Juliano, da República Romana (Imagem: Blog: Ensinar História – Joelza Ester Domingues)

Era um calendário solar de 365,25 dias, com um ano bissexto a cada quatro anos e se torna a base para o calendário do Ocidente. 

O imperador Júlio César foi quem impôs um novo calendário, em homenagem a Janus, deus de duas faces da mitologia romana, dos começos e dos fins das transições, como o primeiro mês do ano. Daí vem Ianuarius, que significa janeiro em latim.

Disputa de poder

E não bastasse todo esse saber, vem a Igreja Católica e “apropria-se” também do Tempo, limitando-o! Não é por acaso que eu inicio este artigo me referindo ao “adeus ano velho, feliz ano novo”… O 1º de janeiro marcar o início do ano é invenção, bem como a data do aniversário de Jesus. E este “reinventar a roda” não tem nada de “espiritual”. É só disputa de poder, sempre com apagamento dos saberes africanos!

Na Idade Média, após a queda de Roma no ano 476, até 1753, o cristianismo se estabelece com força e os cristãos consideram a homenagem a Janus, no 1º de janeiro, uma data pagã demais.

Muitos países reivindicam que o Ano Novo ocorra no dia 25 de março, que marca a aparição do arcanjo Gabriel à Virgem Maria. A compreensão é de que a Anunciação – quando se revela a Maria que ela vai dar à luz uma nova encarnação de Deus – é o momento em que a história de Cristo começa. Por isso, faria sentido que o novo ano se iniciasse aí.

Quem bate o martelo sobre a questão, em 1582, é o papa Gregório XIII, ao introduzir um calendário com o seu nome, o Calendário Gregoriano, solar, baseado nas estações do ano, para corrigir os erros do calendário juliano, seu predecessor, e o primeiro de janeiro é reestabelecido como Ano Novo nos países católicos

A Inglaterra, que havia se rebelado contra a autoridade do papa e professava a religião protestante, continuou a celebrar a passagem do ano no dia 25 de março até 1752.

Mas um ato do Parlamento alinha os britânicos com o resto da Europa e, na atualidade, a maioria dos países segue o calendário gregoriano.

Presente estendido

O filósofo e escritor queniano John Samuel Mbiti, ordenado sacerdote anglicano e considerado o “pai da teologia africana moderna“, no livro Religiões e Filosofia Africanas, publicado em 1969, argumenta que a religião permeia todos os aspectos da vida africana e introduz uma visão africana única do tempo, categorizada em Sasa e Zamani, no lugar do presente e futuro linear ocidental.

Sasa representa o presente vivido, o “agora” que contém o passado recente e o futuro imediato, ainda a ser vivido e que pode ser imediatamente antecipado – “ponte” entre os vivos e os ancestrais, uma vez que incluem eventos que estão prestes a acontecer ou que acabaram de ocorrer. É o período da consciência ativa e da experiência imediata.

Zamani é o passado profundo, o vasto reservatório coletivo de tempo, onde o futuro se torna presente quando vivenciado. O passado vasto e eterno, onde os eventos vivem para sempre. É um tempo mítico, dos ancestrais primordiais, e a fonte última da ordem cósmica

Representação visual dos conceitos Sasa e Zamani, tirado do livro Toni Morrison and the Idea of Africa (2008) (Imagem: Cinematary | Dra. La Vinia Delois Jennings)
Representação visual dos conceitos Sasa e Zamani, tirado do livro Toni Morrison and the Idea of Africa (2008) (Imagem: Cinematary | Dra. La Vinia Delois Jennings)

Em seu livro, John Mbiti, destaca, ainda, a identidade comunitária da sociedade africana, que costuma ser resumida com a filosofia ubuntu como “Eu sou, porque nós somos; e já que nós somos, portanto eu sou”.

Por fim, o escritor delineia uma classificação quíntupla da ontologia africana: Deus, Espíritos, Homem, Animais e Plantas, e Fenômenos e Objetos sem vida biológica.

“Hora da virada”

Nós, povo africano, povo em diáspora, afrodescendentes, cidadãos do mundo, que trazemos o DNA da origem da humanidade, temos tudo para assumir o protagonismo e viver o tempo africano, começando por resgatar algo que, em alguma medida, já vivenciamos e aprendemos a enxergar como “defeito de origem”…

Me refiro à “Hora Africana”, termo que reflete uma atitude cultural mais flexível em relação à pontualidade, priorizando as relações e o fluxo dos eventos sobre horários rígidos.

A “hora africana” faz parte deste pilar da teologia e filosofia africanas ao qual podemos nos engajar, usando nosso olhar para a descolonização do sentir, do pensar e do existir para além do cristianismo e por respeito a nós mesmos.

O tempo africano valoriza a experiência e a vivência em detrimento da cronologia rígida. E, ao tomarmos posse do próprio tempo, transgredimos as normas estabelecidas como verdades absolutas.

Pensar o tempo africano é abrir-se para uma outra perspectiva, outra possibilidade de viver em sociedade, de viver em outro tipo de sociedade, valorizando mais as experiências.

A vivência do tempo é subjetiva e baseada em experiências compartilhadas.

Exu do Tempo

E vale, para terminar este artigo, mais uma vez, referenciar a Exu do Tempo, Oyá. Ela não chega para acalmar, chega para reorganizar. O movimento que ela traz não é caos, é correção. Oyá ensina que nem tudo que cai é perda, nem tudo que permanece merece continuar.

Há momentos em que insistir é desrespeitar o próprio caminho. Quem entende Oyá aprende a atravessar mudanças sem apego, sabendo que o vento só leva o que já não sustenta mais. Onde Oyá passa, a vida não termina, ela se reposiciona.

Eparrei!

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Fontes: livro A terra dá, a terra quer, de Antonio Bispo dos Santos; Curso Filosofias Africanas e Educação, Instituto Ajeum Filosófico; BBC, UFba-Faculdade de Educação, Significados, Instituto de Medicina do Além; aula Cosmograma Bakenga, com a psicóloga africana Jéssica Caroline Aparecida Rodrigues dos Santos, criadora da Terapia Kula e Especializanda em neurociência e comportamento; Revista Espaço Acadêmico, G1, Planejamento de aula, ICL Notícias, Extra, YouTube e Weebly, Wikipédia – Hora Africana, Wikipédia – Hora no Ocidente, Religiões e Filosofia Africanas (John S. Mbiti) (Z-Library), Ogun

Escrito em 10 de janeiro de 2026

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