São muitas as histórias que estão no nosso radar há muito tempo. Por isso, decidimos registrá-las nesta coluna enquanto não as contamos em detalhes, como gostamos de fazer. E você, leitor-escritor, sinta-se à vontade para colaborar com textos e/ou sugestões. Nosso e-mail é [email protected]
📢 Pauta Pública, 3ª edição
Você vai saber um pouco sobre:
• Theresa Kachindamoto e o fim do casamento infantil
• Bethania Hardison, matriarca da moda negra
• Oluyinka Olutoye, pioneiro em cirurgia fetal
• Adé Dudu, grupo de negros homossexuais
• Safi Faye, referência do cinema africano
Teresa Kachindamoto e o fim do casamento infantil
Enquanto o mundo discute políticas públicas em gabinetes, no Malawi, África Oriental, a mudança tem nome, sobrenome, título real e local como ponto de partida. Theresa Kachindamoto, a primeira chefe suprema do distrito de Dedza, é uma das vozes mais influentes do continente africano ao usar sua autoridade contra casamentos infantis.
Ela lidera o povo Ngoni, como chefe tradicional, um cargo de grande influência nas comunidades rurais do país e, em apenas 3 anos no poder, anulou mais de 850 casamentos infantis, enviando centenas de meninas e meninos de volta às escolas.
A líder implementou uma política de tolerância zero para enfrentar uma prática profundamente enraizada na cultura local – que atingia meninas muito jovens, muitas vezes retiradas da escola para se casar – e suspendeu chefes locais que desrespeitaram sua determinação, avisando:
“Eu não quero casamentos infantis. Quero que as crianças vão para a escola. Elas devem ter um futuro antes de qualquer outra coisa.”
A atuação de Theresa Kachindamoto teve impacto nacional, fortalecendo a aplicação das leis que proíbem o casamento antes dos 18 anos.
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Bethann Hardison, matriarca da moda negra
Um dos nomes mais influentes da história da moda, referência inquestionável na luta por representatividade negra na indústria, a ativista, de 82 anos de idade – ela nasce no ano de 1942 -, atua como conselheira do CFDA – Council of Fashion Designers of America – e do Gucci Changemakers Council, incentivando políticas de diversidade, equidade e inclusão.
Bethann Hardison é uma das primeiras modelos negras a conquistar espaço nas passarelas internacionais – a primeira super modelo é Donyale Luna. Seu momento de consagração acontece em 1973, durante o Battle of Versailles, desfile que coloca estilistas norte-americanos e franceses frente a frente. E, nele, Bethann brilha ao lado de outras modelos negras, marcando uma virada na moda dos Estados Unidos.
Na década seguinte, ela se torna empresária e cria a agência de modelos Bethann Management, para promover a diversidade na indústria da moda, e a Black Girls Coalition, para denunciar o racismo e ampliar a visibilidade das modelos negras.
Seu ativismo está eternizado no documentário Invisib le Beauty, de 2023, co-dirigido por ela e pelo cineasta Frédéric Tcheng.
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Oluyinka Olutoye, pioneiro em cirurgia fetal
A conquista cirúrgica que torna o médico e professor Oluyinka Olutoye mundialmente famoso é a remoção bem-sucedida de um tumor maciço de 26 cm, chamado teratoma sacrococcígeo, de um feto de 23 semanas – a operação envolveu uma breve remoção parcial do feto do útero. A bebê, Lynlee Boemer, nasceu de cesariana muitas semanas depois, com a saúde perfeita.
Um ano antes deste feito pioneiro na cirurgia fetal, em 2015, o professor Olutoye Oluyinka e sua equipe de médicos nigerianos já havia chamado a atenção do mundo pela separação bem-sucedida das gêmeas siamesas Knatalye Hope e Adeline Faith Mata.
Oluyinka Olutoye é filho de Olufemi Olutoye, comandante militar e líder tradicional da Nigéria, e da professora e acadêmica Omotayo Olutoye. Frequenta a Universidade Obafemi Awolowo em Ile-Ife, onde obtém o diploma de medicina em 1988.
Formado, ele se muda para os Estados Unidos, faz pós-graduação em pediatria no Howard University General Hospital e recebe seu Ph.D. em Anatomia pela Virginia Commonwealth University em 1996. Sua residência médica em cirurgia geral é feita no Medical College of Virginia Hospital, antes de se especializar em cirurgia pediátrica, com bolsa de estudos, no Children’s Hospital of Philadelphia e na University of Pennsylvania.
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Adé Dudu, grupo de negros homossexuais
Em março de 1981, surge em Salvador, na Bahia, o Adé Dudu, o Grupo de Negros Homossexuais – adé dudu, em iorubá, quer dizer “negro homossexual”.
O grupo, formado unicamente por homens negros, não se sentia representado nem pela militância homossexual branca nem pelo Movimento Negro. Assim, solta a própria voz para lutar contra o racismo do Movimento Homossexual Brasileiro e contra o machismo e a homofobia do Movimento Negro, que os considerava “vergonha da raça”!
O Adé Dudu atua por uma década, influenciado por vários militantes e intelectuais negros e homossexuais como o sociólogo Eduardo de Oliveira e Oliveira, Tosta Passarinho, o jornalista Hamilton Vieira (que utilizava o pseudônimo Estêvão dos Santos), Ermeval da Hora e Wilson Bispo dos Santos, hoje Wilson Mandela.
Assista o documentário Adé Dudu – Caminhos LGBT+ na luta negra clicando no link.
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Safi Faye, referência do cinema africano
Primeira mulher da África Subsaariana a dirigir um longa-metragem distribuído comercialmente – Kaddu Beykat, lançado em 1975 -, Safi Faye vive entre 22 de novembro de 1943 e 22 de fevereiro de 2023 e é uma das maiores referências do cinema africano.
Nascida em Fad’jal, um pequeno vilarejo nos arredores de Dakar, no Senegal, a cineasta transforma seus filmes em ferramentas de denúncia social, ao retratar o cotidiano rural e romper com o olhar colonizado.
Leva para as telas as narrativas e a memória coletiva de seu povo. Celebra o campo e dá voz aos camponeses na luta por dignidade, abre caminho para novas gerações…
“Nunca faço filmes adaptados; escrevo meus próprios roteiros. Investigo, questiono e depois escrevo, e tento permanecer fiel ao mundo rural de onde venho, bem como à África e aos aldeões”.
O cinema de Safi Faye parte do seu interior, de suas vivências como mulher africana movida pelo desejo de reverter o olhar limitado e eurocêntrico imposto ao continente, traduzindo a subjetividade e a complexidade do povo negro.
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Para nós, esta coluna é o embrião de uma parceria com você.
A ideia é que todas, todos e todes leitores se tornem colaboradores na produção de histórias pioneiras que precisam ser contadas em detalhes.
Nosso e-mail é [email protected] – Envie sua sugestão de pauta!
Publicado em abril de 2026


