Este espaço é para falar de Economia Política das Relações Raciais, contar um pouco da história de pioneiros africanos e afrodescendentes com dinheiro e sem dinheiro, compreendendo o cifrão, como parte do nosso DNA.
No radar: desigualdades, desafios, reparação, ações afirmativas, filantropia negra, histórias de sucesso, continuadas e descontinuadas…
O que podemos fazer, juntos, para ocupar nosso lugar de direito no mundo?
Que a coluna nos sirva de in$piração!
💰 Nota Preta, 3ª edição
Você vai ler sobre:
• Reino Unido: massacre e reparação
• Sadio Mané: dinheiro e impacto social
• Trançadeiras, atividade secular
• Bambu, bicicletas e sustentabilidade
• Folorunso Alakija, uma africana magnata do petróleo
Reino Unido: massacre e reparação
Em 6 de fevereiro de 2026, o Tribunal Superior do Estado de Enugu, na Nigéria, condena o governo britânico ao pagamento de £420 milhões de libras esterlinas (aproximadamente R$ 2,9 bilhões) como reparação pelo massacre de 21 mineiros da mina de Iva Valley, em 1949, durante um protesto por melhores condições de trabalho e pagamento de salários atrasados.
A sentença estabelece uma indenização individual de £20 milhões para as famílias das vítimas mortas pelas autoridades coloniais.
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Sadio Mané, dinheiro e impacto social no Senegal
O impacto social de Sadio Mané vai muito além dos gramados. Com o sucesso no futebol internacional, ele investe diretamente na transformação de sua cidade natal, Bambali, uma pequena comunidade rural no sul do Senegal, buscando oferecer oportunidades que ele mesmo não teve, como hospitais, escolas e serviços públicos.
Sadio Mané é responsável pela construção do primeiro hospital de Bambali, inaugurado em 2021, que atende moradores da vila e comunidades vizinhas. O hospital conta com maternidade, pronto-socorro e equipes de saúde essenciais para a região.
Mané também financia a construção de escolas, ampliando o acesso à educação formal e ajudando a combater o analfabetismo e a evasão escolar em uma área historicamente carente. E tudo com conectividade de uma rede de internet 4G, algo inédito até então na região.
O jogador assina, ainda, a abertura da primeira agência dos correios da cidade, e um sistema de auxílio mensal, distribuindo valores equivalentes ao salário mínimo senegalês para ajudar na subsistência de dezenas de lares.
No campo esportivo, Bambali ganha seu primeiro estádio estruturado, ponto de encontro da juventude local, incentivando o esporte como ferramenta de inclusão social e desenvolvimento.
Suas ações, não raro, são citadas por organizações internacionais e pela imprensa como exemplo de como atletas podem gerar mudanças profundas e duradouras em suas comunidades de origem.
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Trançadeiras, atividade secular
A Classificação Brasileira de Ocupações contempla, desde junho de 2025, uma atividade secular, um ofício ancestral, realizado por mulheres negras trançadeiras, com a sigla CBO 5161-65 que indica a profissão de trancista.
O reconhecimento do trabalho manual e artístico da profissional trancista valoriza a cultura africana, fortalece a identidade e a autoestima do povo afrodescendente, além de garantir direitos trabalhistas, o combate à informalidade e à exclusão para as profissionais da área .
As trançadeiras – profissão trancista – “são as responsáveis por toda cultura corpórea afro-diaspórica que visualizamos na atualidade e aprendemos a respeitar’’, destaca Luane Bento, doutora em Ciências Sociais, que alicerça sua carreira acadêmica nesta temática.
Saber quem trança, por que trança, em quais condições tranças, qual perfil social dessas trabalhadoras foi e ainda é uma chave de análise para compreendermos as estratégias de mulheres negras para sobreviverem na sociedade brasileira e se manterem economicamente ativas – escreve, ainda, Luane Bento em artigo publicado no Portal Geledés.
Saiba mais nos artigos A matemática nas tranças; Tranças, ancestralidade e resistência; Nossa Coroa, Nosso Poder e Tranças, inspiração para aulas de matemática e ciências
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Bambu, bicicletas e sustentabilidade
Bernice Dapaah, jovem empreendedora de Gana, é a fundadora da Ghana Bamboo Bikes Initiative, um projeto que fabrica bicicletas sustentáveis a partir do bambu – bicicletas leves, duráveis e acessíveis.
Sua iniciativa já tem reconhecimento internacional por conta de seu impacto social e ambiental. É exemplo de inovação sustentável e de ação a favor da comunidade.
É parte do trabalho Ghana Bamboo Bikes entregar bicicletas gratuitamente para crianças que vivem em áreas rurais e enfrentam dificuldades para chegar à escola devido à distância.
Além disso, o projeto promove a criação de empregos verdes, especialmente para mulheres e jovens; ajuda a combater a pobreza e incentiva práticas ambientais, como o plantio de bambu para substituir o que é utilizado na produção.
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Folorunso Alakija, uma africana magnata do petróleo
Século XXI – A nigeriana Folorunso Alakija é a primeira africana mais rica do mundo, a segunda mulher negra bilionária da história e a segunda mais poderosa do seu continente.
Na raiz de seus bilhões, alguns empreendimentos: indústria da moda, impressão digital e, principalmente, exploração e produção de petróleo, além de três ensinamentos que a definem:
- “Esteja determinado a ter sucesso, pois sempre há um caminho onde parece não haver.”
- “ Somente os persistentes e diligentes o encontram.”
- “Persevere – Nunca desista! O mundo de hoje desfruta de eletricidade por causa daqueles que não desistiram!”
Nascida em 15 de julho de 1951 em família polígama – 8 esposas e 52 filhos -, aprendeu a lutar por espaço. Nem a Justiça nem o governo da Nigéria conseguiram detê-la, apesar de terem tentado bastante.
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Para nós, esta coluna é o embrião de uma parceria com você.
A ideia é que todas, todos e todes leitores se tornem colaboradores na produção de histórias pioneiras que precisam ser contadas em detalhes.
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Publicado em abril 2026


