Chamado de “o centauro das águas”, ele é o primeiro brasileiro a ganhar três medalhas em uma só edição dos Jogos Olímpicos. É o atleta, a lenda da canoagem no Rio, em Tóquio e em Paris!
O que este artigo responde: Quem é Isaquias Queiroz? Qual é o pioneirismo de Isaquias Queiroz? Qual é a origem de Isaquias Queiroz? Quando começa a jornada de Isaquias Queiroz? Qual é a origem de Isaquias Queiroz? Quantas medalhas e troféus Isaquias Queiroz já conquistou? É verdade que Isaquias Queiroz tem só um rim? Por que a história de vida de Isaquias Queiroz é de superação? Onde Isaquias Queiroz foi descoberto?

O baiano Isaquias Queiroz dos Santos dá à canoagem brasileira na terça-feira, 16 de agosto de 2016, a primeira medalha em Jogos Olímpicos, ao cruzar a linha de chegada em 3min58s529, na lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. E mais: na continuidade das Olimpíadas do Rio, a conquista de mais uma medalha de prata e outra de bronze, o torna o primeiro brasileiro a ganhar três medalhas em uma só edição dos Jogos.
Ao conquistar a primeira prata, o baiano de Ubaitaba, lembra seus 22 anos, e conta um sentimento: “Sou novo ainda. É minha primeira Olimpíada e estou muito feliz com o resultado. Satisfeito pela prata, que tem um gosto de ouro porque eu estou em casa e treinei com afinco para conquistá-la”.
Medalha a medalha
Isaquias conquista medalhas em todas as modalidades das quais participa: prata na Canoa Individual (C1) 1.000m; bronze na Canoa Individual (C1) 200m e prata na Canoa de Dupla (C2) 1.000m, com Erlon de Sousa Silva.

Disputa a liderança da prova C1, 1.000m, durante todo o percurso, com o alemão Sebastian Brendel, que abre distância nos metros finais e fica com ouro.
“O alemão é um cara muito bom, todos os jornalistas e o pessoal do Brasil sabiam disso. Ele não é imbatível, nenhum atleta é imbatível. Mas ele teve mérito, ganhou pela dedicação. Na próxima, eu vou treinar muito mais, estarei muito melhor em Tóquio”, afirmou Isaquias ao término da competição.
Trajetória
Fora da água, a “Lenda da Canoagem” ou “Centauro das Águas” – como escreve a imprensa -, também traz uma história de vida de superação.
Além da pobreza extrema, Isaquias sobrevive ao derramamento de uma panela de água escaldante sobre seu corpo, o que o deixa quase um mês internado, e a uma hemorragia interna que, desde os 10 anos, o faz viver com apenas um rim.
O canoísta baiano aprende a remar aos 11 anos nas águas do Rio das Contas em Ubaitaba (BA), que em tupi-guarani significa “Cidade das Canoas”.
Descoberto em um projeto social em sua cidade natal, conquista sua primeira vitória como campeão mundial júnior do C1 200 m.
O pódio olímpico coroa um ciclo excepcional que viveu, no qual foi laureado em todos os Campeonatos Mundiais dos quais participou, em 2013, 2014 e 2015, incluindo os dois ouros nos Jogos Pan-Americanos de Toronto.
Aprendendo com os erros
No Mundial de Canoagem de Moscou, em 2014, ele lidera boa parte da prova do C1 1.000 mas a 50 metros da linha de chegada perde o equilíbrio e deixa a canoa virar, perdendo o ouro para o mesmo Sebastian Brendel.
O tempo passa. Mais experiente, o atleta garante estar pronto para chegar ao topo do esporte e parar de nadar contra a corrente da vida:
“O pessoal achava que eu não ia muito longe pelo fato de só ter um rim, mas mostrei que não tenho problema nenhum e sou campeão mundial. Vai muito da vontade do atleta querer e sempre tive essa vontade. Quero sair daqui com três medalhas no peito”.
E esta é uma possibilidade real: Isaquias, nestas Olimpíadas, vai disputar ainda duas modalidades na canoagem de velocidade: a canoa individual de 200m e a canoa dupla de 1.000m.
De qualquer modo, ele já integra a galeria de pioneiros negros com a conquista da prata para o Brasil na canoagem de velocidade na categoria canoa individual 1.000m, a mais longa disputa individual que consta do programa olímpico.
Tóquio 2021
Medalha de Ouro na final do C1100m!!! E assim ele dá sequência a um projeto que estabelece depois dos três pódios que colecionou na Rio 2016.
Com quatro conquistas em Olimpíadas, Isaquias empata com Serginho, do vôlei, e Gustavo Borges, da natação. É o primeiro negro!
Apenas dois atletas chegaram a cinco medalhas pelo país no megaevento: os velejadores Robert Scheidt, ainda na ativa, e Torben Grael, já aposentado de competições olímpicas.
Em agosto de 2022, Isaquias conquista, pela 7ª vez, o título de campeão mundial adulto na canoagem velocidade, com mais de um barco de distância, no Campeonato Mundial disputado em Halifax, no Canadá. Detalhe: é a quarta vez que ele vence a prova de 500 metros, que não é disputada em Jogos Olímpicos.
Ele é vencedor do troféu de Melhor Atleta de Canoagem no Prêmio Brasil Olímpico 2022.
Paris 2024
Nos Jogos Olímpicos em Paris, Isaquias Queiroz conquista a medalha de prata na canoagem na prova C1 1000m – sai do quinto para o segundo lugar, tirando mais de 10 metros de diferença para os rivais na última parcial de 250 metros.
Essa é a quinta medalha do atleta na história das Olimpíadas, o que o torna o segundo maior medalhista olímpico da história do Brasil!
E ele desabafa:
“É um peso que eu tiro das minhas costas. Muita gente não acreditou em mim (…) Poder chegar aqui em Paris, ser prata, ser porta-bandeira, Representar toda a minha Bahia, o meu Brasil, aqui em Paris, é uma felicidade incrível.”
…
Copa do Mundo, de novo
17 de maio de 2025. Nosso campeão olímpico brilha mais uma vez em águas internacionais. Conquista a medalha de ouro na prova de C1 500 metros da Copa do Mundo de Canoagem Velocidade, em Szeged, Hungria. Completa o percurso em 1min47s80 na primeira competição internacional desde os Jogos Olímpicos de Paris. Uma vitória que representa o início de um novo ciclo olímpico rumo a Los Angeles 2028.
Com cinco medalhas olímpicas no currículo — uma de ouro, três de prata e uma de bronze — Isaquias Queiroz segue consolidando sua posição como um dos maiores nomes da história da canoagem mundial.
Fontes: Globo Esporte. jornais Folha de S. Paulo, O Globo e O Dia; RBS, Uol, Surto Olímpico, Lance, Globonews, Uol, CNN Brasil
Escrito em 16 de agosto de 2016 . Atualizado em maio de 2023, agosto de 2024 e junho de 2025.
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