
EDIÇÃO
MEMÓRIA
HISTÓRICA
No mês que celebramos a primeira postagem no primeirosnegros, quando era só um blog, no ano de 2009, dia 9, lançamos as colunas Pauta Pública e Nota Preta. É uma edição Sem Mordaça, à qual damos o nome de Memória Histórica.
Uma edição para sala de aula, que pode tomar a escola inteira – nas disciplinas de Português, História, Geografia -, incluindo o debate dos temas transversais, tão necessários para a nossa conexão com os mais novos.
Uma edição para a sala de casa, para além da escola. Para se ler junto, para se encontrar e se perder e se encontrar de novo porque precisamos saber quem somos, precisamos compartilhar com o outro como nos sentimos, precisamos dialogar sobre o que nos incomoda…
Uma edição para ampliar possibilidades, olhares, pensares… Para compreendermos que cada um, cada uma de nós, representa um único ponto de vista e é da soma da riqueza – representada pela nossa diversidade – que vai emergir a verdade que tanto buscamos…
Mas não, esta edição não tem bruxaria… Nada vai resolver-se em um passe de mágica… A palavra final é e será sempre nossa porque somos o ontem, o hoje e o amanhã.
ONTEM



Revolta da Chibata, luta negra armada

Independência do Brasil, sinônimo de liberdade?

Quilombo dos Palmares

13 de Maio de 1888, do ponto de vista negro

A felicidade guerreira das rebeliões negras

Brasil e Estados Unidos, o racismo nosso de cada dia e suas diferenças
Créditos: Geledés / Reprodução do kit ‘A Cor da Cultura’
HOJE

África, o continente que habita em nós

Afrodescendência, uma questão

Qual é a nossa identidade?

Mama África, cidadania ancestral
SEMPRE

O museu da diáspora africana

Museu Afro Brasil, um conceito em perspectiva

Etiópia, a África não colonizada

Maat, a origem da vida

Educar africano

Da África, a reconstrução civilizatória

Espiritualidade negra, filosofia e religião

Origem Africana da Filosofia: mito ou realidade?

Conexão ancestral: entre o “sagrado” e o “profano”
NOSSOS 16 ANOS
Por Tania Regina Pinto
Tudo começou em 9 de maio de 2009…
Quando postamos o primeiro artigo do Primeiros Negros, em 9 de maio de 2009, não imaginávamos a jornada que iríamos viver, que nos tornaríamos grandes, sob o nosso ponto de vista! Escrevo “nós”, mas, de verdade, no começo, era só eu-zinha…
Depois de mais de 25 anos trabalhando na redação dos grandes jornais de São Paulo – repórter, redatora, pauteira, chefe de reportagem, editora -, migrei para a área de comunicação em um instituto voltado à defesa do setor elétrico brasileiro privatizado. Uma mudança desafiadora, para mim, trabalhar para o capital. Foram muitas as sessões de terapia.
Me mandaram embora do jornal no dia em que voltei de férias. Eu tinha um menino de 6 anos – hoje, homem de 30 – para criar e 43 anos de idade nas costas. A percepção era de que o mundo e, em especial, o mercado de trabalho não sorriam para mim. Estava velha!
Vem à minha memória que estava disposta a aceitar qualquer trabalho. Precisava de dinheiro. Na época, eu não tinha consciência sobre nossa interação no Cosmos, a partir da coexistência, da cosmo percepção, da ancestralidade… Mas, as que vieram antes – e são muitas mulheres – já caminhavam comigo.
E alguém chamou a minha atenção:
“O Universo não dá porcaria pra ninguém. O que você quer?”
Entenda “Universo” como Deus, Oxalá, Cosmos, a Energia, nosso força latente…
Na hora, eu entendi a mensagem. E – pasmem – veio para mim um emprego para trabalhar de segunda a sexta-feira, 6 horas por dia, com um salário de causar inveja e outras mordomias em uma agência de comunicação. Me contrataram para “transformar um cantor de pagode em Jorge Aragão” – este era o sonho do cliente. Mas, no final, não conseguimos fechar contrato com o artista e, neste processo, acabei no setor elétrico.
Acostumada a trabalhar com jornalistas, passei a ver meus textos editados por engenheiros!!! E texto – para quem escreve – é como filho. Só que não havia plano B no escritório. Eu era a única da área de comunicação.
Frustrada – mas com as contas em dia -, pensei em fazer um blog – meu espaço livre de censura. Mas escrever sobre o que? Amores? Espiritualidade? Pensares? Pioneirismo Negro!!!!
E cá estamos nós…
“Não vai durar.”
Isso foi exatamente o que eu ouvi, quando comentei com uma colega de profissão, uma antiga chefe, que tinha iniciado um blog sobre pioneirismo negro.
Nem eu nem ela tínhamos ideia do tamanho da lacuna, do vácuo, da impossibilidade imposta ao povo negro. É verdade que, na época, lutávamos por visibilidade na TV, por uma paquita negra no loiríssimo programa infantil Xou da Xuxa, mas não olhávamos para a questão racial pela lente do pioneirismo negro, embora questionássemos a história contada sobre este país e o que se escrevia nos livros didáticos sobre a nossa presença nele.
Na atualidade, sobram manchetes que anunciam pessoas negras pioneiras e nós, pioneiros na construção de um acervo com este foco, já não temos braços para contar todas elas.
Por isso, no nosso aniversário de 16 anos, lançamos a coluna Pauta Pública, com a indicação de histórias pioneiras nas quais não conseguimos mergulhar, ainda.
Uso o verbo ‘mergulhar’ porque nosso propósito ao escrever, sempre, é contar da nossa humanidade, a partir da história de cada pioneiro, de cada pioneira, o que inclui o nome dos pais, a data de nascimento, as conquistas, os desafios, tropeços… Não julgamos. Usamos a nossa lente, de povo de origem africana, cidadão do mundo e de pátria nenhuma, ensinado a se odiar e em busca de amor.
– Tania Regina Pinto
Salve as datas de lançamento das novas colunas:
10 de maio – Nota Preta
20 de maio – Pauta Pública